quinta-feira, 7 de julho de 2011

Peso Pesado – A Doença





A obesidade é actualmente classificada pela OMS como uma "doença crónica não-transmissível, major e de base nutricional”.


Na minha consulta cada vejo vez mais pessoas com obesidade, de todas as idades, etnias e classes sociais.

Infelizmente em Portugal, cerca de 1% da população sofre de obesidade mórbida (índice de massa corporal superior a 40). Se não emagrecerem, vão acabar por padecer de muitos problemas de saúde, ter uma péssima qualidade de vida, e morrerão mais cedo. Torna-se urgente ajudar estas pessoas.

Alguém que chegou a este ponto, encontra-se muito fragilizado, com uma baixa auto-estima e frequentemente até bastante deprimido. Isto deve-se ao sofrimento físico, e a todos os condicionalismos provocados pela doença, e em parte, a uma sociedade que os descrimina, que lhes condiciona a entrada no mundo do trabalho, e que os olha como se fossem verdadeiras aberrações.

Para que consigamos realmente ajudar estas pessoas, promovendo a mudança no seu corpo e nas suas cabeças, temos que nos lembrar sempre que estamos a lidar com uma doença, a qual é crónica, necessitando de ser vigiada durante toda a vida. É vital recordar que todas as mudanças têm que ser feitas de forma gradual, que o apoio psicológico, a empatia, o reforço positivo, e toda a relação que se estabelece com estes doentes, é fundamental para um sucesso efectivo no tratamento desta doença.

Todos os profissionais de saúde que trabalham com estes doentes, têm que ter sensibilidade para lidar com esta doença – Obesidade mórbida – e com estes doentes com características tão peculiares. A par da melhor formação científica, tem que estar a humanização, a entrega, a disponibilidade e todo o empenho necessário para ajudar estas pessoas. Temos que conseguir chegar à pessoa, e vê-la como um todo. Ir muito além da sua imagem física, e do que nos diz, é preciso saber ler nas “entrelinhas”, para que consigamos ir mais além.

As pessoas que sofrem de obesidade grave têm um risco aumentado de desenvolverem várias doenças associadas à obesidade, como problemas osteoarticulares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, hipercolesterolémia, cancros da mama, do cólon, do fígado, do útero, do ovário, varizes, insuficiência respiratória, refluxo gastroesofágico, esteatose hepática, hiperuricemia, síndrome do ovário poliquístico, depressão, e várias outras patologias.

Para que se dê uma perda de peso adequada – perdendo massa adiposa (gordura) e aumentando a água e a massa magra – é necessário um acompanhamento nutricional regular. Há que avaliar, e estabelecer objectivos adequados a cada caso, bem como o tempo em que decorrerá a perda de peso. A par da perda de peso, previnem-se e tratam-se as doenças associadas à obesidade, com medidas dietéticas especificas.

Quem precisa de perder 40 quilos, deverá perde-los bem e de forma faseada. A perda de peso, de forma saudável, deverá ser de cerca de 500 g a 1.500 g por semana (média), dependendo de acordo com vários factores. Uma perda de peso demasiado rápida, é perigosa para a saúde e ilusória, pois perde-se pouca gordura, e muitas vezes perde-se água e músculo.

O exercício físico deverá ser sempre iniciado de forma gradual, respeitando as limitações impostas pela obesidade grave. Estas pessoas transportam consigo continuamente um peso pesado, que lhes destrói a saúde e fragiliza a alma, e só o andar a pé já é um excelente exercício, para quem sofre de obesidade grave. Qualquer acréscimo deverá ser feito de forma muito gradual, e com monitorização adequada.

No tratamento destes doentes, jamais os devemos fazer sentir culpados ou inferiorizados, por não conseguirem ter a mesma mobilidade que pessoas normoponderais ou com um ligeiro excesso de peso, nem por terem chegado ao grau de obesidade a que chegaram. Aqui o “regime militar” não funciona, podendo até agravar problemas psicológicos, e de saúde já existentes. Os profissionais de saúde – importantes agentes de mudança - envolvidos no tratamento, têm que saber avaliar, acompanhar, orientar e motivar sempre!

Quando se alcançam os resultados pretendidos, todas as mudanças valeram a pena. Para mim é extremamente gratificante, acompanhar toda a transformação, e ver renascer uma nova pessoa, muito mais saudável, segura e feliz. Toda a sua vida melhora, e voltam a viver plenamente, sem as limitações impostas pelo peso pesado da doença.

A reeducação alimentar durante o processo de emagrecimento é vital. A alimentação saudável deverá perdurar para toda a vida.

(Este artigo foi publicado na Revista Magnifica em Junho de 2011)

Uma boa semana para si, e para todos nós.

Cumprimentos vitaminados,
Eduarda Alves.
Dietista – Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas
 
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sábado, 21 de maio de 2011

Tomate



• Sabia que existem centenas de variedades de tomate? Variam quanto à forma, cor, aroma e sabor. A composição nutricional sofre ligeiras variações.
• O tomate é uma excelente fonte de antioxidantes e fitosteróis, como o licopeno, o betacaroteno (provitamina A) e a vitamina C.


• É riquíssimo em licopeno. Quanto mais maduro estiver o tomate, mais licopeno tem. O molho de tomate contém mais licopeno que o tomate cru, pois a cozedura melhora a sua assimilação. Ajuda na prevenção do cancro da próstata, mama, ovário, útero, cólon, estômago e pâncreas.


• O tomate é rico em polifenóis, os quais têm demonstrado, em vários estudos científicos, serem um precioso aliado na prevenção do crescimento de células cancerígenas no fígado.

• É rico em vários minerais como o potássio, magnésio, zinco, flúor e fósforo.


• Ajuda a hidratar, pois possui cerca de 85% de água na sua composição.

• Evite usar utensílios de alumínio ao preparar o tomate, pois devido à acidez do tomate, o alumínio poderá passar para os alimentos e ser nocivo para a sua saúde.

• É um alimento com poucas calorias – um tomate médio contém apenas 16 calorias – sendo muito útil nas dietas de emagrecimento.

• O tomate verde é desaconselhado, pois para além de ter um menor valor nutricional, contém uma substância tóxica que deve ser evitada.

• Pode ser consumido das formas mais diversas, como por exemplo em sandes, sumos, saladas, molhos, massas, arroz, estufados, assados, sopas, e de muitas outras formas.

• Quem tiver hiperuricemia (ácido úrico elevado), ou quem sofra de gastrite, refluxo gastroesofágico e úlcera gástrica deverá consumi-lo com moderação.

• Quem tiver divertículos, deverá retirar as suas grainhas antes de o consumir.

• E como “cada caso é um caso”, aconselhe-se sempre com a sua Dietista.



Saudações Dietéticas e muita Saúde e Boa Disposição!

Eduarda Alves.





Dra. Eduarda Alves.

Dietista

Directora da Clínica dos Alimentos

Telefone: 21 432 55 15

www.clinicadosalimentos.pt

www.nutricaoedietetica.com


sexta-feira, 11 de março de 2011

Estudo português prova que tomar CLA faz mesmo perder peso


por Ana Rita Guerra, Publicado em 11 de Março de 2011, no Jornal i

Mesmo sem dieta e exercício, todas as pessoas que tomaram o suplemento durante três meses perderam vários quilos. Estudo vai ser publicado em revista científica internacional


Afinal há mesmo uma receita mágica para emagrecer, eAfinal há mesmo uma receita mágica para emagrecer, e não implica beber dois litros de seiva de ácer com pimenta de caena por dia. O ingrediente milagroso chama-se ácido linoleico conjugado - o popular CLA - e a perda de peso pode ir até aos 12 quilos em três meses. Sem dieta e sem exercício físico.

É isto que dois investigadores portugueses acabam de provar com o primeiro estudo nacional sobre a eficácia do CLA, uma substância dietética que se encontra à venda em praticamente todos os super e hipermercados do país. Apesar de ter chegado ao mercado há vários anos, nunca se tinha comprovado cientificamente o seu efeito redutor da massa gorda na população portuguesa. Foi exactamente isto que fizeram Ana Nunes e António Lacerda, investigadores da Escola Superior de Saúde Jean Piaget, num estudo que deverá ser publicado em Junho numa revista científica internacional.•

"Estamos bastante satisfeitos, porque os resultados vão ao encontro exactamente daquilo que estava descrito", afirma ao i Ana Nunes. O estudo foi feito com três grupos, que totalizaram 69 participantes, durante 12 semanas três meses.

Ao primeiro grupo, de 21 pessoas, foram dados 3,2 gramas de CLA por dia em conjugação com exercício físico três vezes por semana, com um personal trainer. O segundo grupo, de 25 pessoas, só tomou o CLA, sem qualquer actividade extra. E o terceiro grupo, de 23 pessoas, tomou cápsulas de azeite julgando tratar-se de CLA - um grupo de controlo, para perceber se haveria efeito placebo (quando a pessoa acredita tanto no remédio que isso gera efeitos físicos reais).

Os resultados foram contundentes. Todos os participantes receberam as mesmas indicações nutricionais, mas o grupo que emagreceu mais foi o segundo, o das pessoas que só tomaram CLA, com uma média de seis quilos perdidos sem dieta nem exercício. Como é isto possível? "O CLA aumenta a taxa de metabolismo basal, logo o corpo queima mais energia", explica Ana Nunes. O mecanismo "é algo complexo", adianta, referindo que os relatórios internacionais apontam para um efeito inibidor de adipogéneos - isto é, gordura localizada. Assim, "o CLA é indicado na mobilização de gordura local e no tratamento da celulite", acrescenta. Há também indícios de que a substância funciona como supressor do apetite, mas este efeito é difícil de estudar, já que envolve testes mais complexos (a inibição foi comprovada em ratos de laboratório).

Uma das partes importantes das conclusões é que o grupo um, que combinou CLA com exercício, perdeu menos peso mas reduziu muito mais a massa gorda - porque o músculo pesa mais. Em média, quem tomou o CLA perdeu 7% da gordura corporal, mas quem combinou a toma com exercício reduziu o dobro da massa gorda.

Por outro lado, o investigador António Lacerda refere que é importante optar por marcas comerciais que usem a combinação Tonalin. "É patenteada e garante segurança", indica. Há vários tipos de CLA (por exemplo, clarinol), mas não é certo que gerem os mesmos resultados.

Por fim, o CLA pode ser tomado "para sempre" com o objectivo de manter o peso estável, sem contra-indicações, por ser uma substância natural.

Fonte: Ana Rita Guerra, Publicado em 11 de Março de 2011, no Jornal I
http://www.ionline.pt/conteudo/109684-emagrecer-estudo-portugues-prova-que-tomar-cla-faz-mesmo-perder-peso