Já fiz de tudo e não consigo emagrecer!
Quase
todos os dias várias pessoas me dizem, nas minhas consultas, que já
experimentaram todas as dietas que viram na Internet, nas revistas, as que as
amigas fizeram e muitas mais.
Já tomaram vários medicamentos e suplementos e
nada… O ponteiro da balança desce e sobe, alternadamente, como a batuta de um
maestro. São as “dietas” com efeito “iô iô”, pois o efeito de “sobe e desce”
não pára. Não há um peso habitual.
Estas
pessoas (principalmente mulheres) possuem roupas de tamanhos muito variados nos
seus roupeiros, algumas têm roupas que oscilam do tamanho 38 ao 48. É uma
grande oscilação de peso! Tão depressa estão de bem com a balança, como de
repente ela se transforma na sua pior inimiga.
O
que se passará? Porque é que estas mulheres não conseguem emagrecer e manter o
seu peso?
Apresento-vos
o caso de Estela, uma bem-sucedida empresária de 45 anos, casada e mãe de dois
belos rapazes.
Quando recorreu pela primeira vez à minha consulta, estava com
84 Kg, o que para a sua altura (1,60 m) era demasiado. O seu índice de massa
corporal (IMC – fórmula que relaciona o peso com a altura) era de 32,8,
significando que já se encontrava obesa (obesidade grau I). Apresentava 40% de
massa adiposa (massa gorda) e 98 cm de perímetro de cintura, significando que
possuía demasiada gordura abdominal, aumentando consideravelmente o risco de
síndrome metabólico.
A
Estela tinha hipertensão arterial desde os 42 anos e hipercolesterolémia
(colesterol elevado) desde os 40 anos. Fez um “check-up” recentemente,
incluindo vários exames para despistar algum problema hormonal ou da tiróide,
mas estava tudo bem, excepto o seu colesterol elevado e a sua hipertensão
arterial.
Sentia-se
muito pesada e cansada, já não gostava tanto de se arranjar e sempre que
comprava roupas novas sentia-se ainda pior, pois não se reconhecia na imagem
que o espelho reflectia. Interrogava-se frequentemente – como é que isto me
aconteceu? Como me tornei tão “grande”? Logo eu que era tão elegante nos meus
tempos de juventude. Era uma “brasa”! Quando me casei, com 25 anos, pesava 55
Kg.
Estela
já tinha tentado fazer várias “dietas” sem grandes resultados. Há três anos
experimentou uma “dieta” de desintoxicação, que uma amiga lhe recomendou, à
base de chás, sopas e pouco mais. Perdeu 10 Kg num mês, mas passado pouco tempo
recuperou-os. Nos últimos dois anos Estela aumentou 16 Kg. Estava desesperada,
já não sabia o que fazer mais. Já não se reconhecia a si própria. E o pior é
que até comia pouco e mesmo assim não emagrecia.
Estela
dirige a sua empresa, estando sempre sob stress, pois tem uma grande pressão e
responsabilidade “em cima de si”. Trabalha quase sempre sentada, desloca-se de
carro e não tem tempo para fazer exercício físico. Chega a casa tarde e
psicologicamente exausta.
A
sua alimentação diária é muito rotineira. Ao acordar não tem apetite, bebendo
apenas um café (ao qual adiciona 1 pacote de açúcar), a meio da manhã bebe um
café (ao qual adiciona mais 1 pacote de açúcar) e um salgado (uma empada ou um
rissol ou uma merenda).
Almoça no café que fica em frente à sua empresa para
não perder muito tempo, comendo habitualmente uma sopa, um salgado, um sumo de
laranja natural ou um batido de frutas e um café (com mais um pacote de
açúcar).
Durante a tarde come rapidamente uma torrada com manteiga e bebe um
galão (com 2 pacotes de açúcar). Mas é frequente estar tão ocupada, que se
esquece de lanchar.
Antes de chegar a casa, pára na loja de “take away” e
compra o jantar para si e para a sua família. Os pratos mais habituais são
frango assado com batatas fritas, bacalhau com natas, lasanha, filetes de
pescada com arroz de tomate, entrecosto grelhado com batatas fritas, pataniscas
com arroz de feijão e arroz de pato. Às vezes leva sopa, mas os miúdos não a
comem. Pontualmente faz salada ou come legumes. Duas vezes por semana compra
sobremesa doce (bolo de bolacha, mousse de chocolate ou baba de camelo).
Ao
jantar está muito cansada e com um apetite voraz, servindo-se com apetite.
Acompanha a refeição com um copo de um bom vinho. É a única refeição do dia que
faz em família e que pode saborear, sem ter que a engolir à pressa.
A seguir ao
jantar, depois dos filhos se recolherem aos seus aposentos, senta-se com o
marido em frente ao televisor, assistem a um filme ou a uma série, e comem
frutos oleaginosos (amêndoas, nozes, cajus, ….) ou chocolate de leite. É o seu
momento do dia. A única altura em que se permite relaxar. Aos fins-de-semana é
frequente comer “fora”.
O que é que a Estela
está a fazer errado? Porque será que cada vez engorda mais?
1)
Estela
faz apenas 3 a 4 refeições diárias, passando muitas horas sem comer. Deverá
fraccionar a sua alimentação, fazendo pequenas refeições ao longo do dia, não
devendo estar mais de três horas sem comer (durante o dia). Desta forma terá
menos apetite e o seu organismo consumirá mais energia, o que vai ajudar na
perda de peso.
2)
Um
bom pequeno-almoço é muito importante numa alimentação saudável e equilibrada,
devendo fornecer cerca de 20% do aporte energético diário. Existem vários
estudos que demonstram que as pessoas que habitualmente não tomam
pequeno-almoço, têm uma redução de 5% no seu metabolismo basal, o que significa
que o seu organismo se torna mais “poupadinho”, contribuindo para o excesso de
peso.
3)
A
Estela consome uma elevada quantidade de sacarose (açúcar comercial) nos seus
cafés e no galão. Este açúcar transforma-se em gordura, contribuindo para o seu
aumento de peso. Deverá ser substituído por um adoçante não calórico e natural (como por exemplo o stévia), ou passar
a tomar os cafés e o galão simples sem qualquer adoçante. Como a Estela é
hipertensa, deverá substituir o café por descafeinado e não ultrapassar os dois
por dia.
4)
É
fundamental que aumente a quantidade de fibras na sua alimentação, devendo
ingerir saladas ou hortaliças duas vezes por dia. São fundamentais para uma boa
saúde, ajudam a regular o trânsito intestinal, dão saciedade e reduzem a
absorção das gorduras, tendo ainda muitos outros benefícios para a nossa saúde.
5)
O
cálcio está presente numa quantidade muito abaixo das necessidades nutricionais
de Estela. Deverá ingerir cerca de três copos de leite magro por dia (ou o
equivalente). É fundamental para prevenir a osteoporose e existem vários
estudos que demonstram que um adequado aporte de cálcio ajuda a regularizar a
tensão arterial.
6)
Os
salgados (empadas, rissóis, …) deverão ser ingeridos excepcionalmente, pois
possuem imensa gordura saturada, colesterol, muito sal e são extremamente
calóricos. Contribuem para o agravamento da sua hipertensão, da
hipercolesterolémia e da sua obesidade. Para a Estela gastar as calorias
fornecidas por um rissol, teria que andar a pé durante cerca de 2 horas.
7)
Devemos
mastigar bem os alimentos, saboreando-os e não devorando-os vorazmente, como a
Estela faz habitualmente. Desta forma ficará muito mais saciada com quantidades
menores e facilitará a sua digestão.
8)
Ao
jantar faz um aporte energético muito elevado, consumindo muito mais energia do
que a que necessita, pois nesta altura do dia o nosso organismo consome menos
energia. Deverá evitar comprar comida com tanta gordura, bem como as sobremesas
doces. Uma boa opção são os grelhados e os assados sem molho. Deverá comer
sempre saladas ou hortaliças ou sopa de legumes com pouca batata.
9)
As
bebidas alcoólicas fornecem calorias vazias, que vão contribuir para agravar a
situação de Estela. Poderá beber apenas uma a duas vezes por semana. Nos
intervalos das refeições deverá beber água e chás de ervas sem adição de
açúcar.
10)
Durante
o serão não deverá comer os frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, cajus, …) nem
o chocolate de leite, pois ambos os alimentos contêm muita gordura e
consequentemente uma elevada quantidade de calorias.
11)
A
fruta deverá ser comida e não bebida. Para fazer um copo de sumo são
necessárias cerca de 3 a 4 peças de fruta, o que representa uma elevada
quantidade de açúcar (frutose) que se vai transformar em gordura. Para além
disso, perde-se fibra durante a preparação do sumo.
12)
Para
uma boa saúde o exercício físico é fundamental. Como tem pouco tempo
disponível, poderá optar por fazer pequenas mudanças no seu dia-a-dia que farão
toda a diferença, como por exemplo estacionar o carro mais longe, usar sempre
as escadas, dar um pequeno passeio a seguir ao almoço e a seguir ao jantar,
fazer caminhadas ou dançar ao fim de semana.
Após
6 meses de acompanhamento nutricional, Estela pesa 65 Kg, perdeu muitos
centímetros, a sua tensão arterial está mais controlada e o seu colesterol
normalizou.
Sente-se bem. Recuperou a energia e melhorou a sua saúde. Já gosta
de se arranjar com esmero.
A
única forma de emagrecer com saúde é através da adopção de hábitos alimentares
e de exercício físico mais saudáveis. Há que assegurar um aporte nutricional
adequado de acordo com a idade, actividade física, existência ou ausência de
doenças, medicação seguida, entre outros factores, de modo a contribuir para um
emagrecimento saudável.
O
dietista-nutricionista exerce o papel de “tradutor”, transmitindo a informação nutricional e
dietética através de uma dieta adequada a cada situação específica (cada caso é
um caso!), que seja de fácil percepção e agradável de seguir, bem como todas as
orientações necessárias para a sua preparação, o estabelecimento de objectivos
a atingir, a explicação de forma detalhada de como irá actuar a dieta, qual a
sua evolução e quais as metas a atingir.
Diga “Não”
às dietas milagrosas, pois só com a dieta “ideal” para si, conseguirá recuperar
gradualmente a sua silhueta, de forma duradoura, sem perder o prazer de comer e
contribuindo para melhorar a sua saúde e qualidade de vida.
Faça a dieta “ideal”
para si e emagreça para sempre, alimentando a sua saúde.
Saudações vitaminadas para si e para os seus,
Eduarda Alves. Dietista – Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas
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